28/05/2021 às 15h10min - Atualizada em 29/05/2021 às 00h00min

Caso de jovem acorrentado no Acre demonstra que muitas famílias precisam de suporte nos cuidados a pessoas com deficiência intelectual

Rapaz com transtornos mentais era contido pela mãe para tentar controlar as crises; em Minas Gerais, uma situação parecida teve um final feliz, com o paciente sob os cuidados do CENSA Betim, que é referência nacional no atendimento e suporte às pessoas com deficiência e suas famílias

SALA DA NOTÍCIA Grupo Balo

Uma história divulgada pela imprensa nesta semana mostra que, para cuidar de quem se ama, medidas extremas podem ser tomadas devido a falta de conhecimento e suporte. Um jovem de 26 anos, morador de Brasiléia (AC), com transtorno mentais, era acorrentado pela sua mãe para evitar que ele se machucasse durante os momentos de crises. Após receber denúncia, uma equipe do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) da cidade constatou que não havia sinais de maus tratos. Situações como estas demonstram a importância do acompanhamento profissional para melhor qualidade de vida dos indivíduos com deficiência intelectual e suas famílias. E uma instituição mineira, que é referência nacional na área há 56 anos, o CENSA Betim, é uma esperança diante de tantos desafios enfrentados por responsáveis e cuidadores.

Um caso interessante, que tem o estado de Minas Gerais como cenário, é o de Daniel Souza. Hoje com 28 anos de idade, ele possui diagnóstico de autismo grau 3 e sua família passou por momentos de tensão para manter a integridade física do rapaz, que foi diagnosticado aos três anos. “Ele tinha um comportamento de autoagressão, batia a cabeça, mordia os pulsos e, se não houvesse um cuidado constante, se machucava muito. É desesperador, pois temos que tentar ser médicos, psicólogos, ser fortes para conter, mas sou apenas uma mãe”, disse Helena Maria de Souza, que é da cidade de Patrocínio (MG) e se mudou para São Sebastião do Paraíso (MG) em busca de melhores condições para o acompanhamento do filho, mas, mesmo com a peregrinação, esbarrou na falta recursos e expertise por parte das instituições e profissionais que o assistiram. 

Diante dos recorrentes episódios de crises e todas as tentativas de intervenções frustradas, a família acionou a Justiça para conseguir tratamento custeado pelo município de São Sebastião do Paraíso para o jovem. Os pais se basearam na lei federal 12.764, que garante à pessoa com autismo o acesso a ações e serviços de saúde, atendimento multiprofissional, nutrição adequada e terapia nutricional, medicamentos e educação. Foram duas demandas judiciais, sendo que em uma delas, o Ministério Público determinou que a Prefeitura de São Sebastião do Paraíso oferecesse tratamento ao rapaz, seja no próprio município ou em outra cidade. O outro é da Defensoria Pública, que além do município, acionou também o Estado para oferecer o atendimento adequado.

Enquanto o processo judicial avançava, a mãe de Daniel pesquisava incansavelmente por instituições que pudessem ajudar o seu filho. A história começou a mudar quando a família decidiu divulgar a luta na imprensa. “Saímos de Patrocínio e fomos para São Sebastião do Paraíso em busca de melhores condições para o meu filho. O autismo de Daniel é grave e, na situação em que estava, não havia instituições e profissionais preparados para lidar com as crises e com o cuidado constante. Era desesperador, já que em casa não era possível cuidar dele, pois colocava em risco até mesmo a integridade física de todos. Como forma de pressionar uma decisão da justiça, divulgamos a nossa luta em veículos de comunicação e isso foi decisivo”, conta Helena Maria de Souza.

Ao mesmo tempo em que aguardava uma posição do processo judicial, Helena Maria de Souza pesquisava instituições que seriam mais adequadas para o caso de Daniel. Quando conheceu o CENSA Betim, ficou temerosa em se distanciar do filho: “Eu fiquei angustiada pelo fato de ter que me separar do Daniel e já descartei a possibilidade de deixá-lo lá. Mas a vida é um constante aprendizado e depois percebi que ter acompanhamento 24 horas por dia e uma equipe composta por diversos profissionais especializados era o mais indicado, pois, além de cuidar e garantir que ele não se machuque, há várias atividades que visam a sociabilização e criam rotinas que beneficiam no desenvolvimento. Como o judiciário foi favorável para nós, escolhemos o CENSA e desde então a qualidade de vida de todos só melhorou”, conta a mãe, que confiou à instituição os cuidados durante a semana e aos finais de semana costuma promover encontros de família em sua casa, com a presença de Daniel.

No CENSA Betim desde dezembro de 2014, Daniel conta com acompanhamento constante da equipe da instituição, com psicóloga, psiquiatra, enfermeira, médico, além de monitores e cuidadores. Com isso, o quadro dele está sendo amenizado e até o capacete, que antes usava diariamente para crises constantes de autoflagelo, não é mais necessário. “Tudo melhorou. O meu filho está mais tranquilo, recebendo cuidados e participando de atividades que o ajudam a ser mais sociável. Era um desespero vê-lo durante as crises e não saber como lidar, mas agora, com o apoio que recebemos, tudo tem se tornado mais leve. E dessa trajetória, do nascimento de Daniel até a entrada no CENSA, escrevi um livro, que será lançado em breve com o intuito de compartilhar a nossa história e mostrar que existe soluções”, diz Helena Maria de Souza.

Hoje a realidade do jovem mineiro é completamente diferente. A família divide os cuidados com a equipe transdisciplinar da instituição que é referência nacional na área. “Desde a entrada de Daniel, percebemos um progresso, com a diminuição dos comportamentos de autoagressão, diminuição do suporte medicamentoso e a suspensão do uso do capacete de proteção. Diariamente há um cuidador de referência para atender Daniel, que está inserido em um grupo de convivência, cumprindo a programação com outros educandos, e o mais importante, a sua família está sempre presente”, comenta Natália Costa, diretora e psicóloga do CENSA Betim.

Sobre o CENSA

Com 100 educandos, o CENSA Betim hoje é referência nacional e recebe pessoas com deficiência intelectual e autismo de todo o país. A instituição foi fundada no ano de 1964 pela educadora Ester Assumpção, mulher à frente de seu tempo, que trabalhou com Helena Antipoff no Instituto Pestalozzi. Dona Ester, como era carinhosamente chamada, acolhia em seu próprio lar crianças com deficiência cujas famílias não podiam fixar residência em Belo Horizonte. Assim nasceu a instituição, de um sonho, um ideal de uma educadora, cujo desejo de cuidar e amparar crianças com deficiência e suas famílias era genuíno e se materializou em quatro instituições por ela fundadas: CENSA, APEX, Instituto Ester Assumpção e Clínica São José.

Centro Especializado Nossa Senhora D'Assumpção – CENSA Betim

Endereço: BR-381, 494 - Jardim Petrópolis, Betim – MG

Telefone: (31) 3529-3500

E-mail: contato@censabetim.com.br


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