09/06/2021 às 10h58min - Atualizada em 09/06/2021 às 10h58min

UFG decide nesta semana quem será a próxima reitora

Comunidade vota nos dias 8 e 9 de junho

A Redação
PROFESSORAS SANDRAMARA E CLORINDA (FOTO: DIVULGAÇÃO)
Começa nesta terça-feira (8/6), e segue nesta quarta (9/6), a eleição para escolher o próximo reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG). Desta vez, a comunidade acadêmica poderá escolher entre duas chapas, ambas encabeçadas por mulheres.
 
A Chapa 1 “UFG Viva” tem a professora Sandramara Matias Chaves, atual vice-reitora, como candidata ao cargo principal, e o professor Jesiel Freitas Carvalho como vice-reitor. Já a Chapa 2 “Movimenta UFG” tem Maria Clorinda Soares Fioravanti como candidata e Adriano Correia como vice-reitor.
 
Sandramara é docente da Faculdade de Educação (FE-UFG) e antes de ser vice-reitora já havia assumido o cargo de pró-reitora de Graduação entre 2006 e 2014. Seu vice, o professor Jesiel, é do Instituto de Física da UFG e foi pró-reitor de Pós-Graduação entre 2016 e 2018. Atualmente é pró-reitor de Pesquisa e Inovação.
 
Clorinda é professora da Escola de Veterinária e Zootecnia (EVZ-UFG), onde atualmente é diretora. Ela também já foi pró-reitora de Pesquisa e Inovação. Já o professor Adriano Correia é da Faculdade de Filosofia (Fafil-UFG), vice-presidente da Rede Iberoamericana de Filosofia no período 2018-2022 e diretor da Sociedade Interamericana de Filosofia, de 2019-2024.
 


A chapa de Sandramara, que representa a situação, aposta na experiência de um grupo que está na gestão da universidade há 16 anos. “A equipe de gestão chegou ao meu nome como um que poderia fazer frente ao desafio de gerir a universidade em um momento tão complexo exatamente em função dessa experiência adquirida como professora da universidade e gestora”, declara. “Conheço a fundo toda essa crise que as universidades federais estão vivendo. O grande desafio é gerir uma universidade do porte da UFG em meio a cortes de orçamento enquanto a universidade não para de crescer e tem demandas cada vez maiores”.
 


Ela acredita que este conhecimento de causa lhe confere “melhores condições de enfrentar o que vem pela frente e de lutar pela recomposição e ampliação do orçamento; por mais bolsas e fomento à pesquisa; por mais recursos para a permanência estudantil. Vamos usar esse conhecimento da realidade em prol da universidade”.
 
A docente enxerga que o principal desafio da próxima reitoria “é a luta em defesa da universidade. Essa questão antecede todas as outras. A universidade precisa de condições objetivas para continuar desenvolvendo seu papel social”.
 
Seu candidato a vice-reitor, o professor Jesiel salienta que é um momento muito difícil. “Sem dúvida que a responsabilidade é muito grande e dá, figurativamente, um frio na barriga. Temos ciência de que o desafio é enorme, mas não temos outra alternativa a não ser enfrentar esse desafio, mobilizar a universidade, o parlamento, os movimentos sociais, em defesa da recomposição orçamentária e de melhoria da interlocução com o governo federal por meio do MEC”, diz.
 
“Nos preocupa muito o futuro, sabemos que vai ser desafiador, mas ao mesmo tempo também temos uma confiança grande na capacidade da universidade, na força que ela tem, na capacidade das pessoas. A universidade tem um conjunto de pessoas muito qualificado e mobilizado. Isso nos encoraja para o enfrentamento necessário”, completa o professor.


 
Já a professora Clorinda representa um grupo independente de professores que, neste pleito, representa a oposição. “A gente sabe que é um momento muito difícil de recursos e é por isso que a comunidade precisa estar unida. Também entendemos que um grupo que passa 16 anos na gestão, e que fez muita coisa importante, perde com o tempo a capacidade de resolver os problemas e de ter criatividade para encontrar soluções. Daí a necessidade de arejar e desenvolver novas ideias e canais de comunicação”, diz.
 
Para ela, a razão para se candidatar “é uma mistura de vontade de lutar pela UFG com a vontade de mudar os rumos da gestão. Exatamente por ser um momento difícil que você precisa de pessoas que tiveram experiência fora dos muros da UFG, que é o caso meu e do Adriano”.

Professores Jesiel e Adriano (Foto: divulgação)

Professores Jesiel e Adriano (Foto: divulgação)


Professores Jesiel e Adriano (Foto: divulgação)
 
Clorinda explica que a prioridade é manter a UFG funcionando e crescendo em meio aos cortes: “a primeira missão é a defesa da universidade pública, gratuita, laica e de qualidade e com autonomia. A autonomia passa por autonomia financeira. É preciso ter o mínimo para funcionar”.
 
 “Vamos brigar com o MEC para que tenhamos o mínimo para funcionar, como água, luz e terceirizados. Para mover pesquisa e extensão, vamos ter que trabalhar parcerias e precisaremos de pessoas dispostas a desenvolver projetos. A comunidade vai ter que nos ajudar nessa missão. Propomos uma gestão voltada para a humanização, o acolhimento e a escuta que serão fundamentais para que tenhamos esse apoio”, continua.
 
Além de parcerias, Clorinda defende uma gestão voltada para a eficiência, buscando fazer mais com a estrutura e os recursos que a universidade já tem. Ela dá um exemplo: “Uma coisa que vamos buscar é que todos os programas de pós-graduação tenham condição de ter um doutorado. Você aumenta a qualidade e o número de estudantes a partir da mesma estrutura. Muito da nossa perspectiva de trabalho é dentro dessa otimização com os recursos e a estrutura que já existem na UFG”.
 
Para seu candidato a vice, as propostas da chapa são formadas por “um grupo de pessoas preocupadas com o futuro da universidade, da autonomia, com a sobrevivência da instituição como ela é hoje: muito mais aberta e acolhedora, em que 75% dos nossos alunos são de baixa renda”.
 
Segundo Adriano, “passamos por um momento que vai demandar muita coragem e agilidade, energia e luta e rearticulação interna e externa” e que, portanto, vai exigir “uma concepção de gestão mais política e menos administrativa e burocrática. O que eu aprendi em 2019 e 2020 foi que a articulação com as diversas entidades e associações nos permitiu conseguir muita coisa. É nessa dificuldade que nosso amor pela universidade tem que se converter em ação”.
 
Mulheres na frente
Em toda a sua história, a UFG teve 13 reitores, dos quais apenas dois foram mulheres. A mais recente foi a professora Milca Severino, que ficou à frente da instituição por dois mandatos entre 1998 e 2006.
 
Ambas as chapas, inclusive, trazem como eixos o acolhimento, proteção e apoio às mulheres da comunidade acadêmica, sejam elas estudantes, professoras ou técnicas.
 
Para Sandramara, é um momento com “uma representatividade e um simbolismo muito grandes”. Clorinda concorda: “vejo com muita alegria esse momento. Mostra que hoje nós mulheres já somos a maioria na UFG em termos de estudantes e estamos caminhando para isso em termos de docentes e pesquisadoras. “Esse empoderamento de mulheres em instituições de pesquisa e ensino será fundamental para garantir à mulher esse espaço”.

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