08/11/2021 às 10h30min - Atualizada em 08/11/2021 às 10h30min

Mais de 600 detentos das unidades prisionais de Goiás estão inscritos no Enem 2021

Administração Penitenciária registra um aumento de 60% em relação ao ano passado, quando 382 presos se inscreveram

DGAP
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As inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio para pessoas privadas de liberdade ou sob medida socioeducativa, o Enem PPL 2021, encerraram no último dia 17 e Goiás registrou um aumento significativo no número de presos inscritos. De acordo com o levantamento da Gerência de Educação da Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP), 611 presos fizeram a inscrição este ano, 60% a mais que em 2020, quando 382 detentos participaram.

Nesta edição, o exame nacional avaliará presos de 39 unidades prisionais do Estado. A Unidade Prisional Regional (UPR) de Anápolis se destaca com 135 presos inscritos, seguida pela UPR de Itumbiara e Casa de Prisão Provisória (CPP) de Aparecida de Goiânia, onde, respectivamente, 66 e 40 detentos também farão a prova do Enem.

Para o diretor-geral de Administração Penitenciária, tenente-coronel Rasmussen, os projetos de educação desenvolvidos dentro do sistema penitenciário são considerados elementos de transformação. “O estudo é uma forma do preso conquistar mais do que a remição de pena, é uma chance de buscar um caminho diferente daquele que o levou para criminalidade, inclusive é um fator importante na redução a reincidência criminal”, defende. 

A policial penal Juliana Porto, representante estadual do Enem PPL, explica que o aumento no número de inscritos no exame é resultado das políticas de ressocialização, que a instituição vem promovendo com mais ênfase nos últimos meses. “A Gerência de Educação tem feito um trabalho de conscientização junto aos diretores das unidades prisionais mostrando a importância da educação para os reeducandos”, explica.

Bons exemplos

Segundo um dos detentos da UPR de Porangatu, de 26 anos, inscrito no Enem PPL 2021, a prova representa uma oportunidade para entrar na faculdade. “É uma chance que não tive lá fora. Espero vitórias! Eu quero correr atrás do tempo perdido, entrar numa faculdade, me formar, e ser alguém na vida, porque se tem uma coisa que ninguém tira da gente é o estudo”, planeja. 

Outro custodiado da UPR de Itumbirara fez a prova do Enem no ano passado e conseguiu uma vaga para cursar engenharia elétrica em uma universidade particular do município. “Graças ao apoio da minha família e as oportunidades recebidas dentro da penitenciária, posso almejar um novo futuro. O mundo muito julga e pouco estende as mãos para oferecer ajuda. Quando encontramos apoio e incentivo, como encontrei na administração dessa unidade, vemos uma janela se abrir para um novo caminho”, disse.

Provas

As provas do Enem PPL serão aplicadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) nos dias 11 e 12 de janeiro de 2022. O Enem PPL tem o mesmo nível de dificuldade do Enem regular. A única diferença está na aplicação das provas, que ocorre em data diferente e dentro de unidades prisionais e socioeducativas indicadas pelos órgãos de administração de cada estado.

Como forma de incentivar a participação dos detentos e alcançar o maior número possível de participantes, o Inep também oferece o material de preparação. Em Goiás, no entanto, a maior parte dos presos inscritos já fazem parte dos programas de educação desenvolvidos pela DGAP, como o Educação de Jovens e Adultos (EJA). “A maioria são presos inscritos já estudam nas escolas das unidades prisionais”, conta Juliana Porto.

Enem PPL

O Enem PPL é aplicado desde 2010 pelo Inep, em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio do Departamento Penitenciário Nacional (Depen). Ele avalia o desempenho do participante que concluiu o ensino médio e, a partir de critérios utilizados pelo Ministério da Educação (MEC), permite o acesso ao ensino superior por meio de programas como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e de iniciativas como o Programa Universidade para Todos (ProUni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Além disso, contribui para elevar a escolaridade da população prisional brasileira.

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